sábado, 12 de maio de 2012

escrevi para você

A vida segue no mundo de cá. Muitas descobertas a cada dia. A saudade persiste.O mundo de lá que ficou. E as despedidas. Dolorosas despedidas. Como não poderiam deixar de ser. 

Extrair do concreto a poesia. Sim, cá existe muito lirismo. E frio. Esfria a carne e o coração. Carne do coração? Não. Coração é músculo involuntário. Foi Marisa quem falou. Coração que pulsa involuntariamente por você. Você. Escrevi para você. Estratégia para preencher o vazio que ficou.

A vida girou. Mas não foi 360 graus. Não voltou ao mesmo ponto de partida. Ato falho. Foi para outro extremo. A vida deu meia volta. Mas não voltou. Fez as malas e se foi. Mudou de endereço. De cidade. E de trabalho. Gratificante trabalho. Mais uma estratégia para preencher o vazio de você. 

A vida sem você. Desalento. Saudade. Vontade. Esperança. Esperar o dia em que nossos caminhos se reencontrarão. No infinito dos tempos. Encontrei você e não perco mais. Seu caminho desemboca no meu. Espero. Espera. A vida tem paciência.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Mundo Novo

Um misto de medo e coragem. A vida brinca de girar. Giro em 360 graus. Um estranho novo mundo. Mundo novo. Mundo estranho. Estranheza existencial. Quando pela primeira vez, eu me estranho. A primeira pessoa do singular sendo posta em evidência numa vida de tantas coletividades. O outro versus eu?

Sigo em passos firmes. Lentos. Mas firmes. Como quem tenta entender a nova esfera. Um misto de coragem e medo. Vontade. Aquela vontade de que o mundo congele para dar cabimento às mudanças. Às minhas mudanças.Tortuosas. Sinceras. Incertas. Incertezas que não tolhem as decisões. Deciões que embaralham a vida.

Vida que segue. Engole o tempo. Transita no novo mundo. Eco de outras vidas. Noutro coletivo. Eu e o coletivo. Sociedade que anseio. A espera que se concretiza. Assim se espera. Lentamente. Felizmente.Quando um ciclo se encerra para abrir tantos outros.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

gerar amor


E eis que um ciclo se fecha para dar cabimento a tantos outros. Como no choro de uma criança recém nascida rompendo o tempo da sua geração. Os 9 meses e um fruto que nasce em forma de amor verdadeiro.

Nos nossos 9 meses 'geramos' companheirismo, compreensão e paciência, exercício crucial para o nascimento do amor na forma mais humana de amar, não sem erros, mas na busca persistente do acerto.

Nos nossos 9 meses semeamos o melhor que pudemos oferecer um ao outro, não sem esmorecer, porque isso também é humano, mas insistimos no respeito e na reciprocidade.

Nos nossos 9 meses comemoramos o nascimento sim, o nascimento da promessa que nossos olhos fizeram quando se reconheceram.

quinta-feira, 8 de março de 2012

sobre as coisas que eu não sei


Eu não sei existir sem entrega. Às vezes eu preferia ser menos canceriana. A vida quis assim. A vida me fez assim. Intensa e abissal. De uma profundeza tão profunda que às vezes me perco e quando retomo tenho sempre escoriações que doem na alma.

Eu não sei lidar com o efêmero. Relações que vem e vão não me interessam. Relações frívolas me dão cansaço. Eu sempre me perco no tempo. E o tempo da frivolidade é rápido demais para toda essa profundeza que há em mim.

Eu não sei conviver com interesses. Custo acreditar que há maldade. Eu sempre acho que no mundo existe bondade. E me decepciono facilmente quando tenho que lidar com a maldade alheia.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

conto momesco



Certo dia meu ego e meu superego brigaram, na confusão abriram as porteiras que prendia o Id, que escapou ileso e fugiu rua à fora. Mas o Id, que não é besta nem nada, escondeu-se por trás do alter ego e com toda a sua liberdade criativa foi ocasionar. Ocasionar é a parte da farra onde cabe tudo e mais um pouco e não dá pra denominar. Foi uma panacéia na cidade. O Id não achou pouco e juntou-se a meio milhão de Id's disfraçados com seus respectivos alter ego's e durante 4 fervorosos dias brincaram visceralmente. Quanto lirismo havia por ali! Não fui eu, foi meu eu-lírico, respondia sagáz o meu Id quando interpelado sobre os impulsos instintivos. Mas um dia a festa acabou, e foi justamente numa quarta-feira de cinzas.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

para você



Nunca desejei felicidade plena. Não sou de me iludir facilmente. Felicidade plena é tão subjetivo. E eu sempre tive dificuldades em lidar com aquilo que não é palpável. Desejei sim, uma vida tranquila. A ideia de tranquilidade sempre me pareceu mais alcaçável. E fui atrás. E, minimamente, consegui. Até você chegar. Bagunçando um juizo, sempre desajuizado.

Você disse que era possível. Eu acreditei. Permiti que minhas certezas se tornassem menos cristalizadas. E abri a janela da vida para novos horizontes. Um dia você me estendeu a mão e disse, vem. Eu fui. Não sem medo, mas fui. Aceitei aquele convite para dançar. E deixei-me levar pelos seus acordes. Somente seus. Um dia você disse que me amava. E, porque você disse, eu acreditei

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

o vento e o tempo



O vento sempre se encarrega de levar os desentendimentos. O mesmo que leva também aquilo que na verdade nunca importou. O vento só não leva são os aprendizados. E o tempo perdido com preocupações tolas. O tempo. Senhor de todas as coisas. Este sábio de bigodes brancos aprendeu a ser paciente. Resta a essência. Esta ninguém leva. Entre o tempo e o vento. A fé perene no amor. A fé no amor e na certeza de que cedo ou tarde os acordes sempre voltam a tocar no ritmo certo.